terça-feira, 13 de outubro de 2009

Nossa forma de ser

A cultura da Tnuá -- entenda como cultura o seu modo de vida, crenças e comportamentos gerados em seus chaverim – exerce um papel fundamental no processo de aprendizagem, pois é por meio desta cultura traduzida em normas e valores das kvutzot que compõem o Dror que o processo de aprendizagem ocorrerá.

“Podemos afirmar que a cultura é formada pelo conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu ao aprender a lidar com os problemas de adaptação interna e que funcionam bem o suficiente para serem considerados válidos e ensinados a novos membro, como a forma correta de perceber, pensar e sentir a relação a esses problemas.” (SCHEIN, 1986)

Entendo que, partindo deste principio, o chaver ao entrar na Tnuá nos anos 50 idealizava soluções aos problemas de sua época e assim foi sucessivamente. Vem-me a cabeça um trecho do livro Pássaros da Liberdade de Carla Pinski aonde ela questiona: “Como o Movimento procurava atingir seus objetivos? Como garotas e garotos que cresceram num meio com determinadas expectativas optaram por e lidaram com (e ajudaram a construir) uma determinada proposta revolucionaria de vida? Até que ponto queriam, poderiam ou conseguiram romper com os valores dominantes e os projetos sociais a eles apresentados?”

Torna-se bem pertinente esta reflexão nos dias atuais não é! Até onde buscamos transformar nosso jovens chaverim? Até onde sabemos a que viemos? Para entendermos a nossa cultura devemos entender nosso ambiente e como nos relacionamos com ele, o quão real e verdadeira é essa cultura, os envolvidos nesse processo tem em sua natureza o necessário para dar continuidade, o significado do nosso trabalho precisaser entendido da mesma forma por todos, precisamos encontrar as respostas para esses questionamentos para entendermos a nós mesmo. Afinal quem já está a algum tempo absorveu um pouco desta cultura, o que a torna ferramenta imprescindível para o auto-conhecimento e hagshamá. É o conhecimento contido nessa Tnuá que tanto gostamos de participar que conferirá caráter, liderança e perfil social “à emergente sociedade do conhecimento” (DRUCKER, 2002).

Ser membro de uma comunidade como a nossa pode ser visto como destino porem ser membro de um Movimento Juvenil é um ato voluntário, temos o dever de entender que a Tnuá não existe para beneficio dela mesma, e sim um meio destinado à tarefa de educar através de suas diretrizes. Agora é impossível ser eficiente nesta tarefa sem saber o que se pretende. “Todas as gerações precisam de uma revolução” (Thomas Jefferson) volto a perguntar como percebemos os problemas que nos rodeiam como nos sentimos e o que fazemos?

Existimos para provocar mudanças nos chaverim e consequentemente na sociedade, pelo menos ainda acredito nisso. Declarar a todos nosso “Mi anachnú” não adianta de nada se não houver ação. Para isso, hoje, devemos parar de pensar no que poderia fazer e agir. Levemos a idéia de fazermos melhor aquilo que já fazemos. Não buscamos prestar um serviço aos chaverim e sim queremos que o chaver seja membro executor, que busque provocar mudanças nos outros. Temos que estar atentos para não nos prendermos a situações que desvirtuem de nosso foco. Convido-os a questionar quais foram suas contribuições que fizeram diferença na Tnuá nos últimos três anos? Por acaso pensou em contribuir? Espero que o leitor entenda que não estou falando de dinheiro e sim ação. Ideias não faltam o que falta é disposição.

Imagino que para alguns vem a tona agora o tema motivação,entendemos motivação por aquilo que a pessoa deseja fazer, porem a frustração de rodar em círculos e não sair do lugar abala a tão falada motivação, mas aí, acompanhem meu raciocínio, se torna um ciclo aonde sabemos o problema MOTIVAÇÂO, sabemos a solução INOVAÇÂO, mas precisamos da MOTIVAÇÂO de querer INOVAR, complicado não? Sempre culpamos o passado para justificar a falta de MOTIVAÇÂO no presente,porem devemos entender que na verdade estamos apenas antecipando ofuturo, causa mais comum para a desmotivação, o PESSIMISMO vem a nos visitar constantemente, a influência que ocorre dentro de nosso movimento é grande mas temos que saber direcioná-la, a interação entre metas, objetivos, projetos e a ação destes é que deve ser direcionada POSITIVAMENTE. Procurem a etimologia da palavra MOTIVAÇÂO, vão encontrar movere que significa MOVER (ação), mover pra onde? Seus desejos ou expectativas te levam a verdadeira motivação, consigo agora entender que se alguém está desmotivado na Tnuá é porque não possui desejos ou expectativas nela.

Para finalizar gostaria de trazer-lhes uma frase de Elie Wiesel,judeu nascido na Romênia e sobrevivente dos campos de concentraçãonazistas, que recebeu o Nobel da Paz em 1986 pelo conjunto de sua obra de 57 livros, dedicada a resgatar a memória do Holocausto e a defender outros grupos vítimas de perseguições (Wikipedia). O escolhi, pois como estamos falando de dedicação a um objetivo ele pode ser considerado uma Dugmá-ishit.

“Se tivessem perguntado o que eu faria no dia da libertação, teria respondido: vou gritar ao mundo que eu, eu sou eu, e que mesmo que ele, o mundo, fosse surdo, mudo eu não era.” Elie Wiesel,

Espero ler alguns comentários.

Átila C.

4 comentários:

  1. falando tambem sobre motivacao, muitas pessoas falam sobre o famoso cliche da falta de ideologia na tnuá. por que entao essas pessoas nao gastam o tempo util falando em como adequar essas ideologias a situacao em que nos encontramos ou ate em incluir novas ideologias?

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  2. Concordo que a questão motivacional as vezes passa pela identificação ideologica. principalmente porque não há um foco unico, assim aquilo q um considera importante pode não ser considerado importante pelo restante do grupo (por isso as vezes alguem tem uma grande ideia que não vai pra frente pq o restante do dror não a considera importante). porém acho que o q mais falta é interesse, o que acaba desmotivando os poucos interessados.
    quanto a ideologia, pra discutir, mudar incluir, temos uma veida chegando ai pra isso. mas acredito que não possamos dizer q haja falta de ideologia, falta conhecimento, INTERESSE. Em geral as pessoas não tem conhecimento sobre as ideologias e também não se interessam. assim não da pra dizer que há falta de ideologia, as pessoas não acreditam... os chaverim em geral nem conhecem a ideologia pra poder concordar ou não.
    Com essa falta de interesse, o resultado acaba sendo que exercemos atividades em vaadot, hadrachot, somos chaverim em geral sem saber o que pretendemos, que como o texto do Atila bem disse, é excencial.
    Acho que o que mais falta hoje é interesse pelo dror- interesse não sendo somente participar de atividades, exercer cargos, mas sim buscar compreender o que é o dror, qual a importancia do dror pra voce e a tua para o dror para saber qual é o teu objetivo na tnua.

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  3. Michel, eu agregaria um ponto a mais. Para mim, o que falta nao eh a motivacao em si, mas sim a dugma. O que nos falta eh perceber que as nossas discussoes tem um porque de acontecer e podem ser traduzidas a pratica. Falta da nossa lideranca alguma atitude que mostre isso, falta alguem que nos mostre que sim, eh possivel. Falando em cliches, uma acao vale mais do que mil palavras. Meu madrich aqui do Shnat uma vez me disse que "o maior ato educacional que eu fiz dentro do Dror foi a alia", e quer saber? Ele ta certo!!
    Temos que procurar quem somos. Nos encontrando como pessoas, saberemos em que acreditamos. Usaremos essa ideologia para buscar uma forma de aplica-la( isso eh praxis), achando uma forma de aplica-la, teremos um sentido e um objetivo claro para a nossa educacao. Sabendo para que educamos, daremos um sentido a todos os nossos marcos, peulot e atividades. Quando tudo isso fizer sentido, se sentir motivado, na minha opiniao eh consequencia. Para mim, essa eh a matematica da tnua e eu estou disposto a fazer o possivel para que ela possa entrar em pratica... De um pre-boguer ansioso para comecar a trabalhar...

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  4. Temos que ver a tnuá como um sistema feito por seres-humanos, sistema esse feito por conexões inter-relacionadas, que muitas vezes levam anos para manifestar efeitos sobre as outras. ou seja famoso "bola de neve" Como nós mesmos fazemos parte deste sistema é muito mais difícil ver as mudanças como um todo e tendemos a nos concentrar em partes isoladas e vivemos nos perguntando porque nossos problemas mais profundos parecem nunca se resolver. temos que ter um pensamento sistemico, porem antes disso tudo a vontade de mudar, de resolver tem que existir e esse é um problema mais difícil ainda de se resolver, o problema não é a Dugmá, ou interesse, ou conhecimento da causa é um todo. pensemos então se queremos resolver... e ai volto a colocara a necessidade da ação, atitude.

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